Wednesday, January 22, 2014

A Queima de Sutiãs e a Violência contra Mulheres No Brasil



 Ativista durante o Bra-burning ou A Queima dos Sutiãs 

Enquanto se debate o projeto de lei que tipifica o assassinato de mulheres como feminicídio no Brasil, sendo este o crime de homicídio (assassinato) praticado contra uma mulher por questão de gênero. Cuja avaliação por especialistas do assunto os homens que praticam esse crime demonstram “ódio e menosprezo” pela vítima e têm “sentimento de propriedade sobre o corpo da mulher”, tenho pensado no número de vezes que ouvi e lí mulheres e homens falando sobre sua resistência e preconceito as feministas. Não foram poucas nos últimos anos. Muitas vezes identificam a feminista como mulheres sem feminilidade, masculinizadas, ou mesmo que não gostam de homens. Essa associação pode ter referência no fato conhecido como Bra-burning, A queima dos Sutiãs, quando um grupo de ativistas feministas protestou contra o concurso Miss América em 1968. Os meios de comunicação divulgaram esse fato que teve grande popularidade e repercussão mundial. A queima de fato não aconteceu, apenas foi encenada, visto que o espaço não era público. Nesse tempo o sutiã, cuja origem veio do espartilho simbolizava a repressão, e a manutenção da mulher admirada apenas pelos seus dotes físicos, com seus seios empinados de forte apelo sexual. Longe apenas desse fato, ativistas feministas tem lutado por equidade de direitos tanto para mulheres quanto para homens. No Brasil, ele possui três grandes momentos: No fim do Sec. 19 reivindicando por direitos democráticos como voto, divórcio, educação e trabalho. O segundo no final dos anos 60 com a liberação sexual, que preconizava o direito a sentir prazer, com o uso de contraceptivos, e não apenas o cumprimento do papel de esposa e mãe. O terceiro momento no final dos anos 70 com a luta nos sindicatos pelos direitos trabalhistas como as licenças maternidade, redução de jornada de trabalho e outros. A partir dos anos 80 as feministas tem combatido a violência cometida contra mulheres, que culmina na Lei Maria da Penha de 2006.
Tenho acompanhado a violência contra mulheres, eu mesma já vítima em algumas vezes tenho olhar aguçado e atento. Segundo o IPEA a violência contra mulheres não tem reduzido. Chegamos a 5.000 casos de feminicídio, assassinato de mulheres por ano no Brasil. Acredito que deveríamos ter o assunto como prioridade hoje, partindo da redução das taxas de violência contra mulheres, podemos chegar a diminuição de outras taxas, como o índice de analfabetismo, evasão escolar, abortos e por aí a vai a longa fila. Sabendo claro, que só é possível operarmos mudanças com a colaboração de homens e mulheres juntos.
Segundo Miguel Lorente, espanhol especialista no assunto vivemos hoje um pós-machismo: quando frente a avanços significativos dos direitos da mulher, vemos sofrendo uma ofensiva dos setores anti democráticos e extremistas. Lembrando de Malala e tantas outras que sofreram recentemente retaliações. Termos consciência dessa etapa histórica e nos movermos para dar um basta a violência vai além de uma questão apenas feminista, mas diz respeito a todos homens e mulheres que estejam comprometidos.

Wednesday, November 13, 2013

Charles Chaplin descreve como criou o personagem Carlitos

“Eu não tinha a menor ideia sobre a caracterização que iria usar. Mas não tinha gostado da que apresentara como repórter. Contudo, a caminho do guarda roupa pensei em usar umas calças bem largas, estilo balão, chapéu coco pequenino, além de uma bengalinha. Queria que tudo estivesse em contradição: as calças fofas com o casaco justo, os sapatos com o chapeuzinho. Estava indeciso sobre se devia aparecer velho ou moço...Não tinha nenhuma idéia sobre a psicologia do personagem. Mas, no momento em que me vesti, as roupas e a caracterização me fizeram compreender a espécie de pessoa que ele era. Comecei a conhece-lo, e no momento em que entrei no palco de filmagens ele já havia nascido...”

Solange Muglia Wechsler / Criatividade:Descobrindo e Encorajando


Thursday, September 26, 2013

Máscaras, do Teatro Grego as Manifestações no Brasil e sua Proibição no Rio de Janeiro



Na Grecia, com o nascer do teatro e da democracia, o espaço teatral exigiu a adoção de convenções como os cothurnos e o uso uso de máscaras, elas desempenhavam a função de caracterizar o personagem e atribuir-lhes expressões de raiva, medo, angustia, sofrimento, alegria e toda a gama de emoções sem a qual seria ininteligível boa parte das peças apresentadas visto as dimensões gigantescas do espaço teatral e seu público, que em algumas apresentações chegavam a 17.000 espectadores. O uso de máscaras também possuia a função de projetar a voz do ator através do orifício na boca, criando um som mais penetrante e forte e eram chamadas “per sona”, segundo Gabio Baso, a palavra persona tem origem no verbo ressonar. Carl Gustav Jung empregou o termo persona na psicanálise em vista da adaptação do ser humano para desempenhar determinados papéis sociais,  adotar atitudes convencionais e coletivas, e representar estereótipos culturais. Caracterizando assim também um personagem, uma persona, uma máscara social.
Durante as manifestações ocorridas no Brasil é de extrema singularidade a adoção das máscaras pelos manifestantes, sobretudo a adoção da máscara usada pelo personagem do filme V de Vingança (V for Vendetta). A máscara inspirada no revolucionário inglês Guy Fawkes que comandou uma revolta para tomar o poder na Inglaterra em 1605 teve sua popularização nas histórias em quadrinhos e posteriormente no cinema no filme de 2005 dirigido por  James McTeigue. Curiosamente a máscara de V de Vingança emprestou sua persona aos manifestantes brasileiros. O detalhe fica por conta de que ela ao contrário da máscara grega não possui seu orifício de voz, mas sim ostenta um sorriso questionador,  moldado por um cavanhaque e bigode. A falta desse orifício, usado para projetar e fazer vibrar a voz e sons parecia revelar que no Brasil os manifestantes estavam cansados em parte de fazer ressoar sua voz, de bradar por melhores condições sociais sem serem ouvidos. Apesar das palavras de ordens repetidas durante as manifestações o tom era de basta, era hora de partir para a ação. O manifestante que adotou o uso de máscaras ou cobriu o rosto estava ciente de que a repressão viria e veio em forma de Lei 6.528, publicada no Diário Oficial de 12/09/2013 que regulamenta o artigo 23 da Constituição Estadual do Rio de Janeiro: "É  expressamente proibido o uso de máscara ou qualquer outra forma de ocultar o rosto do cidadão com o propósito de impedir-lhe a identificação". Dos 70 deputados, apenas 12 votaram contra sua proibição. A lei também informa que será necessário avisar a autoridade policial sobre a reunião pública.
De uma forma contundente, mais uma vez as artes cênicas e a democracia se encontram. Do seu nascimento e apogeu na Grécia, com a solidificação do Teatro, apoiado pelos legisladores e administradores de Atenas que a fomentaram para construir a democracia nascente, e a proibição do uso de máscaras em manifestações democráticas no Rio de Janeiro, que contraditoriamente a medida imposta  por tradição e em todo o estado faz uso de máscaras nas mais diversas formas de expressão popular. Com raízes na tradição carnavalesca, com suas máscaras de bate-bolas, pierrôs e colombinas e tantas outras que cairam no gosto popular como a de personagens e personalidades públicas.
O Rio de Janeiro foi o palco a céu aberto do Brasil por excelência tendo tradição nas artes cênicas e utilização de adereços e fantasias de forma não convencionais em manifestações públicas na cidade ao longo de sua história. O uso de máscaras  nas manifestações também tiveram papel fundamental, alertaram que tinha chegada a hora em que não se pretendia mais apenas projetar a voz, utilizando-se dos artifícios da retórica sem o uso da ação.  Mas sim era a hora dos atores sociais agirem, atuarem. Ir para as ruas, mostrar seu sorriso questionador. Na democracia de fato não é necessário avisar a polícia,  basta pegar o adereço que melhor couber a sua persona e sair de casa, exercendo seu direito de expressão como cidadão e supra consciente de sua condição histórico cultural.

Tuesday, April 2, 2013

Cinema in Education To Start In Text Dramatic and Literature

         
  The cinema as an educational is resource has been exploited in the classroom so increasingly more frequent. Recently worked with Romeo and Juliet in Baz Luhrmann, with ninth graders, to initiate them on the dramatic text, and The Little Prince and Stanley Donen Lerner and Loewe's for sixth year. Many questions have emerged as the question of theatrical adaptation of text to film, contemporary reassembly, and on the form of dialogues. When questions arise about the dramatic text, there is interest in the drama, which may have its unfolding in the classroom with reading this, and later with performances.

To my surprise, only two students had read the book The Little Prince in a group of about 80. I myself have been reading it in adulthood. As a reader I am, I realized the flaw of not stimulating educational preteens to read the classics. And lack it brings to the learning process. With The Little Prince, working imagination, inquiry, curiosity finally working with a universe of imagination so necessary at that age. Saw the movie that sparked interest in the sixth-year students, most in the range of 10 to 13 years. 

As soon as I saw the interest that Romeo and Juliet awoke in young adolescents ninth year with the dramatic text adapted for the cinema. The questions about the context for the nineties, not the colloquial language. Thus reached the goal that I had proposed, they awakened interest in the scenic language. We talk about theater, film and stage. Anyway the classics is a real need to understand society, to question, to be able to contextualize the world and all the globalization process. And later to make choices. Without offering these can not do them, then accepting everything that comes in imposing when it comes to art, culture and entertainment.
 
Remembering that today is International Children's Book Day and birthday of Hans Christian Andersen.

Saturday, February 2, 2013


We are such stuff as dreams are made on


                                                                     Shakespeare

Wednesday, January 9, 2013

My monograph "Arterapia and Women's Creativity - An Encounter of Power" prerequisite for the title of specialist health and education is available online at The Instituto A Vez do Mestre, IAV-UCAM.

http://www.avm.edu.br/monopdf/2/NAT%C3%81LIA%20AMORIM%20BARBOSA.pdf 

Friday, November 30, 2012

Thursday, September 27, 2012

Scenery made ​​from plastic bags, and packaging to show the singer Marcius Cabral, A Tribute to Belchior.



Tuesday, April 24, 2012

Cine Olympia Celebrates 100 Years in Activity!


Olympia today
Photo of the inauguration, courtesy Guilherme Júnior

                      At 13 years saw my first movie alone. I entered the crowded and CineOlympia with no place to sit, people standing behind watching "Endless Story", standing watch at the end of the film. It was 1986, and it was weird. Saw many movies in Olympia later in his inauguration. With dear friends and cinephiles. When I am  frequent, with friends. Cine Olympia alive! Long life to him in action!

News of the opening in the original 1912

Texto do jornal "A Província do Pará" publicado no dia seguinte da inauguração do Cine Olympia(dia 25 de abril de 1912):

"Com a assistência de numerosas famílias da nossa melhor sociedade, auctoridades e 

representantes da imprensa, realizou-se hontem, ás 7 1/2 da noite, com o início de sua primeira sessão, a inauguração do esplendido e brilhante Cinema Olympia, admiravelmente installado, em soberbo edifício, á praça República. Depois da sessão inaugural, outras se effectuaram com grande enchente de público. Hoje, no Olympia, será exhibido este programma:

1- Zé Caipôra não gosta d’égua, cômica;

2- Excursão nos (palavra não identificada) do norte da frança, natural;

3- Matérias de que se fazem os heróis, alta comedia;

4- A Hesposta das Rosas, importante drama da casa Vitography

5- O Chico e a Chica, engraçada fita cômica da Casa Gaumont, de Paris.

No salão de espera, o afinado quartetto executará, como já hontem fez, caprichoso programma de concerto. Serão hoje executadas as seguintes formosas composições: “Momento Musical”, Schubert; “Minha Filha Dorme”, Valsa C Ferreira; “Lisonjeira” Cheminade; “Memettos” Boscherini; “Olympia-Cinema”, Valsa C Ferreira; “Gavotta”, Solli. Dirige a orchestra o exímio pianista e applaudido compositor paraense, professor Clemente Ferreira junior. Mereceu hontem calorosos elogios pela sua excelência, no gênero, o piano utilizado no Olympia o que fôra fornecido pela Casa Abrahão Mathias, á rua Treze de Maio, 13.

É de esperar que o Olympia, montado a capricho e dispondo de todos os requisitos 

necessários para um salão amplo e confortável, seja d’agora em deante o ponto de Rendez
Vous da Família Paraense".

Saturday, March 3, 2012

Poética do Abandono- Exposição Fotográfica e Pesquisa Etnográfica


Exposicion in partnship with Dr. Marcos Veríssimo. SESC 2006.
Credits: Research and Text Marcos Veríssimo
Photo and Production Natalia Amorim


A Poética do Abandono
Marcos Veríssimo


“Tudo é graça o que dela se pode dizer”. Tais palavras teriam sido ditas por Tomé de Souza, português de família nobre e consolidada na Lisboa do Século XVI, que à época respirava ares cosmopolitas. Noentanto, nada disso o impediu de atender ao Rei de Portugal e embrenhar-se em uma terra distante, estranha, e da qual se diziam coisas horríveis e assustadoras, tais como seres sobrenaturais e nativos antropofágicos. Chegou àquela terra ainda recém descoberta em 1549, já como governador-geral da Capitania da Bahia e de todas as outras, trazendo consigo os primeiros missionários da então recentemente fundada Companhia de Jesus e um Regimento que centralizava boa parte do poder em suas mãos.
Essas palavras, ditas nos idos de 1553, se referem àquela que, por sua vez, viria depois ser chamada de Bahia da Guanabara, numa das constantes visitas do militar pelas várias capitanias.

Já o etnógrafo belga Claude Levi-Strauss, quatro séculos mais tarde e tendo como referência adicional o panorama aéreo da Guanabara, parece discordar totalmente de Tomé de Souza, dizendo que a Baía da Guanabara se assemelha a uma grande boca banguela. Cantada em verso e prosa, parte da entropia tropical do Rio de Janeiro, pode ser bela, pode ser feia, pode ser rica, pode ser pobre – enfim, pode reunir em sua extensão a iluminada abundância e a graça do Pão de Açúcar frente à Enseada de Botafogo com a escassez escura e desdentada de suas zonas malditas.

Com o intuito de oferecer uma contribuição para a multiplicidade dos olhares possíveis para este contexto há tempos presente na história e nas artes, esse ensaio fotográfico procura colocar em foco uma entre as várias realidades observáveis da baía, onde podemos encontrar o entrelaçamento do belo com o feio, da graça e do lixo, onde algo que podemos nomear como um sentimento de abandono encontra alguma materialidade nas pessoas e nas coisas, na cultura e na natureza. Fazendo dessa maneira, nosso pensamento vai muito além da idéia de exclusão, para mostrar que estamos todos incluídos, senão de maneira visceral, ao menos de maneira periférica, numa geografia excludente onde os grandes centros de consumo enviam para o seu entorno o refugo daquilo que consomem – transformando, destruindo, para construir novos visuais sobre antigas paisagens.

Pertencente ao município de São Gonçalo, zona metropolitana do Rio de Janeiro, a Ilha de Itaoca fica na margem leste da Baía da Guanabara, separada do bairro gonçalense de Fazenda dos Mineiros pelo Canal Imboassú. Precisamente localizada na periferia da periferia da sociedade de consumo, seu território abriga ainda áreas de proteção ambiental, sítios arqueológicos e a Capela de Nossa Senhora da Luz, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – esta, cuja imagem é parte integrante da exposição, foi erguida na época do Brasil Colonial, na então Fazenda da Luz, construída pelo também militar português Francisco Dias da Luz nas terras que recebera como Sesmaria por ter participado, ao lado de Mem de Sá, da vitoriosa campanha que expulsou os franceses do Rio de Janeiro ainda em 1567.
Uma única linha de ônibus regular faz a ligação da Ilha com o bairro niteroiense do Barreto, passando pelo centro de São Gonçalo – e pára de circular por volta das 23:30 (quando não antes disso), deixando ainda mais isolado o local. Nos dias de chuva um pouco mais forte, carros de pequeno porte ficam praticamente impossibilitados de passar na (única) estrada de chão que corta o mangue para levar à (degradada) Ponte do Rodízio, pela qual se entra em Itaoca. À noite, quando uma pesada escuridão se faz presente, os cerca de seis mil habitantes de Itaoca, em casos de emergência, encontram sérias dificuldades de condução para chegar ao pronto socorro da cidade.
O abandono da Ilha de Itaoca é social, político, ambiental, além de ser também um abandono em relação ao seu próprio passado – quando o lixo ainda não impregnava a paisagem, o pescado era muito mais abundante, e a vida social era consideravelmente mais intensa. Boa parte das pessoas que lá vivem ainda tentam obter o seu sustento da pesca de várias espécies de peixes, siri, camarão ou catando caranguejo no que resta do manguezal cada vez mais mal tratado pela poluição. Para se ter uma idéia, o missionário francês Jean de Lery – que esteve com Villegagnon na Guanabara por ocasião da França Antártica fundada no primeiro século de povoamento europeu da costa brasileira – achava que os peixes eram infinitos.
No povoado da Praia da Luz, durante a década de 1960, havia cabarés, hotéis, e um intenso ir e vir de pessoas de todos os tipos, atraídos por um isolamento ainda idílico, quase rural, e pelo contato com uma exuberante natureza que se exibia na época. Eram hyppies, foragidos da perseguição política e até personalidades mais ou menos famosas, a exemplo da ex-vedete do teatro de revista Luz Del Fuego, que morava na próxima Ilha do Sol, onde praticava o nudismo junto a convidados ricos, educados e influentes. Hoje, na Praia da Luz, os quiosques se destacam na paisagem poeirenta, e o único hotel que restou ainda é o refúgio para casais que vêm de fora, motivados justamente por um isolamento que não é mais idílico e pelo preço baixo do período (R$ 10,00) para seus encontros amorosos às escondidas.

Porém, retratar o abandono na Ilha de Itaoca não é apenas mostrar casas abandonadas e o que restou de velhas embarcações de pesca encalhadas na areia suja da Praia da Luz. Nos domingos e feriados de sol, as praias da ilha são invadidas por levas de banhistas que barbarizam nos ônibus atulhados, lembrando a imagem dos velhos navios negreiros. É também estar aberto à contemplação de uma generosa paisagem natural que se estende desde o compacto verde do que restou de sua vegetação até os contornos mais distantes de seus horizontes (que se mostram relativamente próximos). Como se pode ver, debaixo do sol a pino de um dos dias mais quentes do ano, não há simplesmente desolação, sujeira e descaso. Ao longe, e através da névoa da umidade do ar, podemos avistar a Serra dos Órgãos e o Dedo de Deus, um cenário que o viajante francês Auguste de Saint-Hilaire, ainda no século XIX, comparou a um imenso anfiteatro de “montanhas vaporosas”. Mais próximo avistamos a Ilha de Paquetá. Podemos reparar também a Capela, muito bem cuidada e na contramão do sentimento de abandono.
Retratar o abandono com todas estas considerações em mente, há de ser, sim, uma poética, não só por colocar à frente de nossos olhos a beleza que emerge de uma natureza que insiste em sobreviver a todos os maus tratos sofridos ao longo de anos. Nem o será, tão pouco por ressaltar as retas e frestas da mais bela arquitetura dos mundos perdidos. Enfim, a poética do abandono é um poética no sentido aristotélico dado ao termo grego “poiesis”, que designa o conhecimento produtivo. Retratar o abandono é valorizá-lo em sua condição de pano de fundo sobre o qual aparecerá a criação e recriação do próprio mundo por parte dessas pessoas, não apenas abandonadas à própria sorte, mas antes de tudo refinadas em suas explicações e estratégias para articular um domínio da situação adversa brevemente descrita acima. Nem que o domínio almejado venha ser apenas um domínio sobre a própria condição de dominado.
Em suma, o que se pretende aqui é a construção de um ponto de vista que nos permita enriquecer o debate que se trava em torno do lugar e do papel da Ilha de Itaoca na geografia, na cultura e na história, sem esquecer de sua relação com o complexo sistema da Guanabara. Além disso, devemos também, a partir dos diferentes discursos que surgirão em torno dessas imagens, trabalhar em torno da conceitualização sociológica do termo abandono, afastando-o, obviamente, de sua conotação literária, ligado ao romantismo e a uma certa nostalgia herdada de nossas raízes lusitanas.

O lingüista suíço Ferdinand de Saussure afirmou que “é o ponto de vista que cria o objeto”. Ao concordarmos com tal colocação, acreditamos poder ser a poética do abandono um ponto de vista para a criação de um interessante objeto para qualquer ciência que venha se preocupar com a relação dos homens entre si e com o mundo que lhes é dado viver.

Thursday, December 15, 2011

TRADITIONAL PHOTOMONTAGENS TECHNIQUE


Renaissance custon made in the manual technique of photomontage, black and white. In the photo are the choreographer Pina Bausch, and fashion designer Vivienne Weastwood

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Monday, November 14, 2011

Drawings and Researches




My early works are yellowing.  
I'm scanning them. 
This series are designed to Cyrano de Bergerac. 
The Post is an old photo of Constant Coquelin, the first actor to play Cyrano de Bergerac. Me and friend had a plans to make a documentary. It is for the next opportunity.



Sunday, October 16, 2011

PRE-PRODUCTION OF ROMEO & JULIET



I'm working on pre-production of Romeo & Juliet.
Premier in November. In the Theatre Rinha das Artes.

PHOTOS TREY RATCLIFF


Shakespeare's Globe Theater in London, England Now, this is not the original theater, but it is a fully operational new version of it, located right beside the Thames in Central London. . from Trey Ratcliff at www.stuckincustoms.com

 

Monday, September 26, 2011

Goya scene

Goya scene, Ricardo Leite Lopes and Tatiana Simões playing.


 Writer for Isa Vianna, adaptation of the movie GOYA of the Carlos Saura.Orietation Prof. Carmem Gadelha.
Première II Mostra de Teatro da UFRJ, in House Of The Sciense, UFRJ, Rio de Janeiro, 2002. Event Creation and Production Project Graduation and University Extension: Dr. Walter Lima Torres
Direction: Isa Vianna
Cast:
Ricardo Leite Lopes
Tatiana Simões
Caio Júlio 
Scenografy:
Natália Amorim
Costume Designer:
Natália Amorim
Ligthner Designer:
Isa Vianna
Ana Beatriz Figueiras
Natália Amorim
Production: Isa Vianna and
Natália Amorim

  
Costume Designer 





Essay 10 Anos de Direção Teatral na ECO\UFRJ - 35 Anos da Escola de Comunicação

Natalia Amorim with Tatiana Simões and Rafaela Amorim. 2003- Casa da Ciência / UFRJ

With friens course performing arts, and teachers Dr. Angela Leite Lopes, Walter Lima Torres and Dr.Antonio Guedes.

Sunday, September 25, 2011

THE HOUSE OF THE BERNARDA ALBA

By Federico Garcia Lorca

Five sisters dressed in black fight and bitch in their prison of a house. Their mother Bernarda rules over them trying to control their every move under the heat of the Andaluz sun. Her eldest daughter is to be married to the infamous Pepe el Romano. The only thing that stands in her way is her sisters.

Lorca's moving, funny, epic tragedy on family life is set against a backdrop of the oppression of Franco's Spain in 1936. Just months after completing the play he was shot dead.

Photos 

Actors of the Sarcômicos Art Company
Scenary


Rodrigo Reinoso and Sidclay Batista in action